Cefaléia tensional: a dor do estresse

cefaléia tensional é a dor de cabeça mais comum

A dor de cabeça causada pela tensão emocional é a cefaléia mais frequente que existe. De fato, ao longo da vida 8 em 10 pessoas terão cefaléia tensional em algum momento. A cefaleia tensional é diferente da enxaqueca e não se deve confundi-las porque os tratamentos indicados são distintos.

A cefaléia tensional é causada pelo que conhecemos como estresse que pode ser mental, emocional ou físico. Apesar de se traduzir como uma reação de desconforto, o estresse é uma manifestação normal do nosso organismo. Entretanto, a tensão por tempo prolongado deixa os músculos do pescoço doloridos e isso se espalha para a cabeça.

O estresse é uma reação fisiológica de proteção

Como regra, tudo aquilo que nos tira do estado de equilíbrio, conhecido como homeostase, pode funcionar como um agente estressor. Isso porque ao sair do nosso conforto e harmonia, sentimos uma necessidade de tomar uma atitude que nos devolva à condição de estabilidade ou segurança. Então nosso corpo produz substâncias que nos preparam para fugir ou lutar. A adrenalina é uma das mais conhecidas e está associada a fortes emoções. Mas há uma quantidade de hormônios de resposta aguda ao estresse, todos contribuindo para a reação do corpo.

Na natureza os animais são frequentemente confrontados com perigos à própria vida e para sobreviver, os seres vivos desenvolveram a reação de luta ou fuga que é um estado de alerta no qual as energias internas são mobilizadas e colocadas à disposição para uma das duas formas de resolução do perigo. Basta imaginar um gato encurralado por um cão: as pupilas dilatam, os pêlos ficam eriçados, o coração acelera, a pressão aumenta, a adrenalina atinge altos níveis e o animal toma uma decisão, saindo em disparada ou enfrentando seu inimigo natural. O importante é que o corpo suporta apenas períodos curtos de estresse. O prolongamento do tempo de estresse causa danos ao corpo.

A resposta de luta ou fuga ocorre graças aos hormônios do estresse

Como vimos, a reação de estresse é uma proteção que temos para nossa sobrevivência. Todavia, ela foi desenvolvida pela natureza para ter uma duração curta. Nosso organismo é preparado para responder rapidamente com uma carga alta de energia, mas deve voltar logo ao seu estado de tranquilidade para evitar o desgaste excessivo. Depois que o momento de tensão passa, existe um relaxamento, um alívio e os músculos de destensionam.

A vida urbana favorece um estado de tensão crônica

O desenvolvimento dos centros urbanos favoreceu a subsistência dos grupos humanos, protegendo-os dos perigos naturais (como predadores) e das variações climáticas, bem como de outros grupos humanos que tentavam ocupar seu território. Por outro lado, a convivência em um certo grau de confinamento gerou um outro problema porque cada um de nós tem também os mesmos instintos de proteção do nosso território. Em consequência, sentimo-nos invadidos quando, por exemplo, alguém chega perto demais numa fila de supermercado.

As inseguranças da vida na cidade ressaltam as dificuldades da existência em coletividade e temos que lidar com o medo da violência, a pressão do trânsito, a cobrança da empresa, as inconstâncias dos relacionamentos afetivos e muitas outras situações que disparam nossa resposta de reação aguda ao estresse, mas nesses casos não podemos nem lutar, nem fugir. Às vezes, tudo que podemos fazer é suportar, engolir a adrenalina e esperar o coração voltar ao seu ritmo normal. No dia seguinte, começa tudo de novo.

A cefaleia tensional é muito frequente por conta do estresse urbano

Não é ao acaso que quase 80% das pessoas terão cefaléia tensional em algum momento da vida. Diferentemente da enxaqueca, esse tipo de dor acomete homens e mulheres praticamente na mesma proporção. A faixa etária em que o problema mais aparece é entre os 25 e 30 anos, período em que somos expostos a muitas demandas, principalmente às decorrentes da independência que devemos conquistar na fase adulta.

Há pessoas que não conseguem voltar ao estado de equilíbrio e estabilidade depois de um momento de estresse e acabam internalizando essa sensação de desconforto que se torna permanente. Essas pessoas ansiosas vivem na expectativa do próximo momento crucial em que deverão lutar ou fugir e ficam constantemente com seus níveis de estresse elevados.

O estado de tensão gera uma contratura da musculatura do pescoço, da cabeça e dos ombros, promovendo um certo grau de inflamação e desregulação do sistema de dor que identificamos como pontos dolorosos, especialmente na base do crânio.

As características da cefaleia tensional são diferentes da enxaqueca

A cefaléia tensional tem um caráter tipo pressão ou aperto, pode durar minutos ou semanas (dependendo do estado emocional), é às vezes acompanhada de incômodo com a luz ou barulho (fotofobia ou fonofobia), mas não vem com náuseas ou vômitos. Ao contrário da enxaqueca, a cefaléia tensional pode até melhorar com a atividade física.

Quando a dor é ocasional, um analgésico e um relaxante muscular costumam resolver o problema. Nesses casos não precisam procurar um médico. Porém, se a dor é frequente, tem muitos pontos dolorosos, atrapalha o desenvolvimento das atividades cotidianas ou modifica o sono, é indicado procurar um neurologista. Ele traçará um plano de tratamento para devolver o corpo ao estado de equilíbrio perdido.

O tratamento da cefaleia tensional requer mudança de hábitos de vida

Além de medicamentos que ajudam a regular o sistema de dor do cérebro, podemos indicar terapias auxiliares. Elas buscam ajudar o paciente a melhorar seu estilo de vida e criar um ambiente mais saudável. Uma boa dica é se comprometer em fazer uma atividade que lhe tire completamente da sua rotina. É bom para o cérebro andar de bicicleta nos finais de semana, desenvolver um hobby ou aprender algo novo. Técnicas de relaxamento e meditação também podem ser muito úteis, bem como a atividade física regular. Por fim, a convivência salutar com os amigos e a família é motivo de felicidade.

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Se o seu caso não é de cefaleia tensional, mas sim de enxaqueca: veja esse texto.

Para um diagnóstico formal e para um tratamento em conformidade com suas necessidades, procure um neurologista experiente.

Roger Taussig Soares
Neurologista SP
crm 69239

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