Mentes pensantes

A mente é a sede da subjetividade. A percepção do "eu sou" vem da mente.

 A noção que temos de que somos um indivíduo que se relaciona com outros indivíduos semelhantes a nossa é uma das principais funções da mente. Em neurologia cognitiva chamamos essa função de "teoria da mente" que é a capacidade de enxergamos o outro como um agente intencional como nós. A partir dessa percepção somos capazes de incluir o outro na nossa perspectiva e compartilhar um cenário físico ou mental.

Imagine que uma criança pequena aponta um cachorro para a mãe e diz "o au-au!". Ela identificou o cachorro, entende que a mãe é capaz de fazer o mesmo porque a mãe também é uma pessoa e enquanto a criança aponta o cachorro, observa se a mãe está olhando na mesma direção e se está reagindo conforme a criança espera. Antes mesmo de um ano de idade, o ser humano é capaz de compartilhar uma cena como essa.

Quando adultos, desenvolvemos capacidades mais complexas ainda. Além de identificarmos o outro como um agente intencional semelhante a nós mesmos, somos capazes de inferir o que o outro está pensando ou sentindo a partir de dicas físicas como uma expressão facial. Dessa forma, podemos saber se uma pessoa está triste ou sofrendo. Vamos ainda além ao nos colocarmos mentalmente na situação do outro e sentirmos uma emoção semelhante através dos mecanismos de empatia.

Existem pessoas que não conseguem se colocar no lugar do outro e têm dificuldade de sentir o que o outro sente. Por isso, não conseguem perceber qual deveria ser sua atitude para se adequar às normas sociais. Espera-se, por exemplo, que ao ver uma senhora de idade cansada, nós ofereçamos um lugar para que ela se sente ou talvez um copo de água se estiver calor. É preciso ter todos esses sistemas da mente bem funcionantes para desenvolver essa cognição social. Indivíduos com problemas do desenvolvimento cerebral podem ter dificuldades para entender o que o mundo espera deles. Há várias situações clínicas em que isso ocorre e a mais grave delas é conhecida como sociopatia ou psicopatia.

Na neurologia cognitiva e comportamental que é nossa área de atuação, procuramos compreender como essas funções mentais estão atuando nos nossos pacientes para melhor orientar o tratamento e adequar o posicionamento da família para que tenham expectativas realistas. Esses conhecimentos são importantes no tratamento de pessoas com demências, alzheimer, déficit de atenção, lesões cerebrais etc. Quando orientamos os familiares e cuidadores, fazemos que percebam o que podem esperar e como devem lidar com as dificuldades de cada paciente.

Roger T. Soares
crm 69239

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